sábado, 21 de janeiro de 2012

Capitulo2

Fui para casa , já passavam das 21:00 e a minha mãe já estava a minha espera em casa, coloquei a chave cuidadosamente para ainda ver ser não era apanhada, mas foi tudo em vão... entrei e lá estava ela na sala a minha espera...
- Estás de castigo- afirmou ela
 E foi a única coisa que disse..
Durante uma semana não sai de casa... chegou o dia 5 de Novembro de 2012, acordei e um arrepio na espinha me arrepiou... respondi as mensagens que tinha, claramente muitas eram do Miguel, "sentia saudades" pensei... Um grito da cozinha me despertou completamente, era a minha mãe queria que me vestisse para ir ás compras... " que seca" reflecti um bocado e disse:
-Já vou- "sempre era uma maneira de sair de casa" pensei
Vesti uma saia curta, e um top que já não usava é muito tempo, pintei os olhos , desci até a cozinha, peguei numa maçã e sai..
-Anda- afirmou com pressa a minha mãe.
Quem diria que este iria ser o dia que iria mudar a minha vida....
Chegamos ao mercado, compramos peixe, carne , vegetais e eu nem queria saber daquilo, só queria que as compras acabassem... Entramos no carro, estava aborrecida e descarreguei:
-Odeio-te, sabias?- Disse à minha mãe.
A minha mãe voltou-se para trás e eu olho em frente e só vejo um autocarro enorme descontrolado a vir na minha direcção, a voz não queria sair, estava petrificada e em menos de 5 segundos vi o camião a entrar pelo carro a dentro e a varrer tudo o que lá se encontrava, vi a vida da minha mãe a sair pelos olhos, a me deixar e eu estupefacta olhei para aquilo e não reagi ... Sobrevivi com apenas um pequeno ferimento no braço, "porque sobrevivi?" pensei... Vi ambulâncias, a policia... Todos morreram, menos eu.. porque eu? Tentei encontrar a minha mãe.. perguntei a um rapaz que ali se encontrava e ele me explicara que ninguém sem ser eu tinha sobrevivido...  Nem uma lágrima corria a minha cara, não conseguia chorar, fugi, mais uma vez o medo abraçou a minha alma... fugi.. sei que sou cobarde mas fugi.. liguei ao Miguel,
-vem me buscar!- pedi
Esperei 10 minutos e ele apareceu na sua moto e me levou...
Novamente a noite tomou lugar a nossa relação e mais uma vez senti o corpo dele quente e suado no meu, sentia os beijos quentes misturados com as lágrimas que ambos chorávamos...
-Leva-me para casa- foi a única frase que disse no dia 6 de Novembro de 2012 a ele!
Deitei-me na minha cama e ouvi a moto dele a afastar-se, um sentimento de culpa ivadiu-me a alma..
-Odeio-me- gritei- Odeio-me, odeio-me... Odeio-te...
Odeio-te.. a ultima coisa que disse a minha mãe... odeio-te.. como pude ser tão má e ao mesmo tempo tão egoísta, os pensamentos invadiram-me o cérebro e as lágrimas invadiram-me os olhos.. Chorei...
Continuava deitada me questionando porque eu, porque que tinha sido a única sobrevivente... porque?..
Saltei da cama e me olhei ao espelho, já não me conhecia, continuava a ter cabelo loiro, olhos esverdeados... mas o que era por dentro? a minha alma estava vazia... o meu coração solitário pedia um fim, queria um fim... EU queria um fim..Sentia-me deprimida, confusa, arrependida, não me reconhecia.. não era eu...
 Sabia o que fazer... fui a cave e tirei de lá uma corda, a corda estava gasta mas tinha de servir, ia servir...
Tirei o candeeiro do tecto do meu quarto e lá coloquei a corda.. "Estava segura" pensei.. Olhei a volta e a única coisa que vi foi a corda na minha mão pensei " puxo, não puxo, salto, não salto? ". A adrenalina corria-me nas veias e eu gostava, sentia aqui dentro a correr mostrando que não tinha medo...
Queria saltar, todos os meus músculos me diziam que sim mas algo em mim me dizia fica, não vás, há uma saída.. não liguei a essa voz e calmamente coloquei a corda no pescoço... Vi a minha vida a passar a frente dos meus olhos.. "Vi o meu pai que me tinha abandonado quando apenas tinha 3 anos de idade, deixou-me sozinha, deixou-me apenas aos cuidados da minha mãe, a mim e ao meu irmão Gustavo, lembrei me do Gustavo meu irmão tinha apenas mais 3 anos que eu , iria fazer 19 no próximo mês, ele tinha ido passar 1 ano com a namorada para a Polinésia, voltaria dentro de 1 mês, mas eu já não cá estaria para lhe dar os parabéns e preguntar como tinha corrido, Gustavo era o meu herói, quando estava triste ele me apoiava e dizia que não estava só, quando estava zangada ele me levava a comer um gelado, eu gosto muito dele... Será que já sabia que a nossa mãe tinha morrido?, vi o Miguel, eu amava-o e agora teria de o deixar, senti pena..." Subi para cima da cadeira... Saltei...
Algo me agarrou, e me disse:
-Deixa-te disso, achas que é assim que é assim que vais resolver os teus problemas? Achas que simplesmente me podes deixar? Achas que vou estar completo sem ti? Como é que foste capaz? Nós não escolhemos muitas coisas: O nosso nome quando nascemos, quem amamos, se nascemos, se teremos alguma doença quando nascemos.. nós não escolhemos nada disto porque é que achas que ás de podes escolher morrer? É idiota... não podes , não deves, não queres..não vais, a tua vida é o teu bem mais precioso, não o vais tirar..
Ia dizer uma coisa, ele se aprecebeu e continou:
-Não digas nada, não quero ouvir, eu AMO-TE, eu Miguel quero te na minha vida.. e tu ias assim me deixar!! se queres ir , vai não te impeço mais , só queria que soubesses isto, só queria que soubesses que estou do teu lado, se fores não esperes que vá atrás... O amor não tem de decidir por nós, eu já te disse o que acho, já disse que não devias poder escolher morrer, visto que não podes escolher nascer, eu não escolhi nascer, mas se queres sair deste mundo vai.. mas deixa-me sair daqui primeiro não te quero ver a tirares a tua própria vida...
Larguei-o, olhei o nos olhos, as lágrimas lhe escorriam pela cara, começavam nos seus olhos azuis, escorriam pela cara acabando nos seus lábios, não conseguia falar, tirei a corda do meus pescoço, ele sorriu, e eu beijei-o.. continuava sem voz.. mas sabia que com ele estaria bem, achava eu...
Era meia noite.. e eu na minha pensava.. a luz de mensagem no meu telemóvel piscava mas eu não ligava, continuava a pensar na vida.. como fui capaz? porque? acabar com a vida que ja tinha construido...
Reflecti..., fui parva...





fim do 2 capitulo

























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